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Carrefour abre loja virtual com foco em serviços

Demorou, mas o Carrefour iniciou ontem sua operação com loja virtual que atenderá todo o País. Última a entrar neste segmento, a varejista chega com a promessa de preços competitivos nas primeiras semanas de operação, resultado de negociações com os fornecedores.

Segundo o diretor-superintendente da rede, Jean-Marc Pueyo, foram comprados produtos exclusivos que terão condições diferenciadas de pagamento. “Para as compras a partir de R$ 1.000 dividiremos em 24 vezes sem juros no cartão Carrefour“, afirma o executivo.

A proposta da loja virtual é focada na oferta de serviços aos clientes. Instalação, manutenção e suporte de eletrônicos e computadores podem ser adquiridos no ato da compra. Foram investidos R$ 50 milhões para a concepção da página.

CATEGORIAS – O carrefour.com.br nasce com nove categorias de produtos como eletrônicos, informática, eletroeletrônicos, cine e foto e utilidades domésticas, totalizando 15 mil itens à venda. “Até o fim do ano chegaremos a 80 mil itens”, diz o diretor de e-commerce, Jonas Ferreira.

Segundo o executivo, a pretensão da rede é ser a quinta maior loja virtual do País já no ano que vem. O segmento faturou em 2009 R$ 10,6 bilhões , segundo a consultoria e-bit, com perspectiva de crescer 30% neste ano.

Questionado sobre a entrada tardia na internet, Pueyo pontuou que até então o grupo tinha “outras prioridades” para a operação brasileira.

CONCORRÊNCIA – No dia em que o Carrefour estreou no e-commerce, o Pão de Açúcar anunciou a criação de um núcleo digital para expandir suas marcas na internet. O grupo planeja lançar ações de fidelização, unificar sites das empresas, além de monitorar a percepção dos consumidores a respeito da empresa pela web.

Gigantes do varejo acirram disputa na internet

São Paulo – O interesse dos grandes varejistas tem ampliado a competição na rede mundial e tornado mais difícil a vida de pioneiros como a B2W, dona do Submarino e da Americanas.com. A compra da Casas Bahia pelo Pão de Açúcar, no começo do mês, e a estreia do Carrefour, esperada para o próximo ano, prometem acirrar ainda mais a briga pelo consumidor virtual.

Segundo estimativa da consultoria e-bit, o varejo on-line brasileiro faturou R$ 10,5 bilhões no ano passado, excluindo viagens e automóveis, o que representa um crescimento de 28% sobre 2008. O total de pessoas que compram pela internet no País chegou a 17 milhões em 2009, de acordo com a consultoria.

“Os grandes varejistas entram com mídia e a força da marca na internet, colocando volume no comércio on-line”, afirmou Emerson Duran, diretor de Produtos de Captura da Redecard. O Walmart estreou na internet brasileira em outubro de 2008 e a Casas Bahia, em fevereiro de 2009.

Inaugurada com um investimento de R$ 3,7 milhões, a Casas Bahia espera que a loja virtual responda por 2% do faturamento da rede no primeiro ano de funcionamento. Segundo a empresa, o total de visitantes únicos do site tem aumentado em média 22% por mês.

Juliana Campos, analista da Ativa Corretora, estima que a participação de mercado da B2W caiu de 54% em 2008 para 47% no primeiro semestre de 2009. A companhia também foi obrigada a reduzir sua margem bruta em cerca de 0,5 ponto porcentual. “A ameaça maior está na união entre Pão de Açúcar e Casas Bahia”, disse a analista. “Por serem uma operação muito grande de eletroeletrônicos, eles conseguem comprar mais barato, por causa das lojas físicas.” A B2W não quis comentar. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Venda de móvel, informática e eletroeletrônicos cresce 10,1%

SÃO PAULO – O segmento de móveis, eletroeletrônicos e informática será o setor do varejo que registrará o maior crescimento este ano. Redes como Casas Bahia, Cybelar, Extra e Magazine Luiza comemoram os resultados dos últimos meses e acreditam que seu desempenho não será diferente no Natal, com crescimento de até 20% nas vendas – e destaque para computadores. Segundo o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, no acumulado de janeiro a setembro deste ano o setor contabilizou crescimento de 10,1% em comparação com o mesmo período do ano passado.

A rede paulista Cybelar, que possui mais de 60 lojas espalhadas pelo interior paulista e atende principalmente o público C e D, afirma que o Natal será melhor do que o do ano passado e projeta incremento de 20% nas vendas. De acordo com Ubirajara José Pasquotto, diretor da companhia, já há uma aceleração de compras para o final do ano.

O executivo aponta a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente sobre produtos de linha branca, por exemplo, como um dos principais motivos e que possibilitou que os meses anteriores tivessem um bom desempenho. “Este ano ainda não deve passar o de 2008 em vendas, mas já está acima de 2007″, explica.

Para o diretor, o problema de abastecimento de itens da linha marrom, como TVs de LCD, também deve ser normalizado porque a expectativa é que os produtos sejam muito procurados no Natal, assim como itens da área de informática. Com os resultados e otimismo para fechar o ano, a Cybelar estuda a aquisição de outras redes no interior paulista, além de estudar a implementação do seu comércio eletrônico. “Não estamos à venda, pelo contrário, pretendemos expandir também por meio de aquisições. Quanto ao e-commerce, já temos um catálogo virtual de produtos disponível nas lojas, e o próximo passo é montar a operação on-line.”

A rede Magazine Luiza também tem comemorado resultados e segue otimista para o Natal. Segundo a empresária Luiza Helena Trajano, em entrevista recente ao DCI, as vendas devem crescer 10% frente às do ano passado no Natal, e no varejo eletrônico (e-commerce) é esperado acréscimo de 50%. Em São Paulo, a rede afirma que está contente por completar um ano de operação, com 53 lojas, e deve manter a expectativa original de abrir 100 lojas na cidade até 2010.

Indicadores

Para Luiz Rabi, gerente de Indicadores de Mercado da Serasa Experian, o setor foi, de fato, um dos que mais se beneficiaram com o IPI e com certeza fechará o ano na liderança, seguido do setor de veículos. “A venda de veículos deve perder um pouco o ímpeto com a volta gradual do IPI, mas em eletrodomésticos o benefício continua e o setor de computadores tem passado ao largo da crise, colhendo incentivos do passado e com notebooks mais baratos, por exemplo.”

Os demais segmentos varejistas, como o de supermercados, devem manter o desempenho e a expectativa é que o setor de material de construção, que, mesmo com o IPI, continua em queda, volte a crescer com o reaquecimento do mercado imobiliário.

Para o técnico, os meses de maio, junho e julho foram de alto crescimento do varejo como um todo e arrancada de saída da crise, com média de crescimento de 1,5% por mês; os próximos meses devem apresentar taxas mais estáveis e menores, o que é até saudável para a economia e não significa pessimismo para o final do ano, pelo contrário.

Em relação ao desempenho do varejo no mês de setembro, o Indicador Serasa Experian de Atividade do Comércio, mostrou que em comparação a setembro de 2008, a atividade varejista teve elevação de 5,6%, a segunda maior taxa do ano, perdendo só para agosto.

Nuno Fouto, professor do Programa de Administração de Varejo (Provar), da Fundação Instituto de Administração (FIA), concorda que os segmentos devem continuar em alta e lembra que “as condições de crédito e pagamentos estão praticamente retomadas”, e que o setor de informática sempre aparece na frente por ainda ter pouca penetração. “Ainda há muitos consumidores sem notebook e desktop que aproveitam o Natal”, diz.

On-line

Aproveitando o aquecimento do consumo, a Apple inaugurou nesta terça-feira a sua loja on-line no Brasil, fazendo vendas diretas pela primeira vez no País. Antes, vendia por meio de revendedores oficiais e lojas do varejo.

E-commerce cresce sem parar

O comércio via Internet no Brasil saltou 27% no primeiro semestre de 2009. Os números são da última edição da pesquisa Webshoppers, realizada pela empresa EBit, com apoio da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (câmara-e.net) que aponta números específicos do chamado e-commerce no País. São mais de 7,5 milhões de questionários no banco de dados.

O volume de negócios via Web atingiu R$ 4,8 bilhões nos seis primeiros meses deste ano, contra R$ 3,8 bilhões em igual período em 2008. O tíquete médio, ou seja, quanto se gasta em cada compra, alcançou R$ 323 por consumidor.

O valor é considerado alto e mostra avanço das vendas de produtos de maior valor agregado, como eletroeletrônicos. A expectativa é que 2009 feche com um volume de R$ 10,5 bilhões em vendas online.

Mesmo com os efeitos da crise batendo à porta, o setor de vendas por Internet cresceu 50% em junho em comparação a abril e maio. O segredo está nas reduções de Impostos, que privilegiaram produtos de maior destaque na rede.

Confiança
Entre os produtos mais adquiridos via Internet estão, em primeiro lugar, livros e assinaturas de jornais e revistas, seguidos por artigos de saúde, beleza e medicamentos, logo depois produtos de informática, em quarto lugar eletrodomésticos e na quinta posição itens eletrônicos.

O número de consumidores que tiveram pelo menos uma vez a experiência de adquirir um produto via Internet saltou para 15,2 milhões no primeiro semestre de 2009. No ano anterior, este volume era de 11,5 milhões em igual período.

O aumento, segundo os organizadores da pesquisa, se deve fundamentalmente pelo crescimento da confiança dos consumidores. De acordo com o Movimento Internet Segura (MIS) e Câmara-e.net, 86% dos brasileiros que utilizaram a Internet para comprar algo estão satisfeitos com os resultados obtidos.

A universitária Nádia Nobre adora comprar pela Internet. “Estou sempre me atualizando. Às vezes vejo um produto em algum site e já clico para adquirir lá mesmo. É muito mais cômodo e seguro. Basta seguir algumas normas de segurança que não há problema“.

Para o presidente do Sindicato dos Lojistas do Comércio de Fortaleza (Sindilojas), José Cid Alves do Nascimento, o consumo online é um caminho sem volta e que qualquer tentativa de frear este avanço é tolice. “Temos que nos adequar às mudanças, melhorar o atendimento em balcão e também passar a oferecer o serviço como opção“, avalia.

No entanto, Alves não acredita que a venda virtual supere a tradicional. “Nada é mais forte que o feeling do bom vendedor. Estes nunca serão suplantados“, aposta. Contudo, o número de pedidos via Web, até o final de 2009, deve ficar em 30 milhões no Brasil, cerca de cinco milhões a mais que em 2008, registrando uma evolução do tíquete médio para R$ 327 por compra.